Rodrigo James fala sobre o rock

Para comemorar o Dia Mundial do Rock, 13 de julho, a gente preparou uma semana toda com posts especiais de gente que sabe do que está falando. Agora é a vez de Rodrigo James, do programa Alto-Falante, publicitário, jornalista, produtor, DJ, colunista do Estado de Minas e nosso chegado.

“Não acredite quando alguém te disser que o primeiro disco que comprou na vida foi um dos Beatles, um do Led Zeppelin ou um dos Rolling Stones. Ninguém se inicia sexualm.. ops… no mundo do rock and roll indo direto ao assunto. Normalmente, os rodeios vem primeiro. No meu caso, passei raspando. O primeiro disco que comprei na vida foi da Rita Lee. Ok, se você considerar que ela é tida como a rainha do rock brasileiro, estou bem na fita. Não, não foram os clássicos “Build Up” ou “Hoje é o Primeiro Dia do Resto de Dua Vida”, que ela fez logo que deixou os Mutantes. Foi o “Flagra”, de 1982. Passei mais raspando ainda.

Na verdade, isso tudo nem importa. Porque não adianta nada você ter comprado “The Dark Side of The Moon” ou “Exile On Main St.” e tê-los deixado no fundo do armário, empoeirando, para anos depois vendê-los em algum sebo ou dar de presente para aquele seu sobrinho. O que importa é o impacto que aqueles discos tiveram em sua vida e o quanto eles contribuíram para você ser o que é hoje. E aí eu te pergunto: o que você é hoje?

Parou e pensou? Percebeu a diferença entre um ser humano rock e outro que enveredou na direção do axé ou do pagode? Nada contra outros ritmos, mas pô, não dá pra comparar! Sério!

Eu preciso confessar uma coisa: quanto mais velho fico, mais chorão estou. E, via de regra, o rock tem me feito chorar. Saca aquela emoção de estar diante de um de seus ídolos, assistindo a uma apresentação foda? Pois é. Poderia listar pra vocês aqui alguns dos shows que me fizeram chorar literalmente. Bruce Springsteen & the E Street Band, Rolling Stones, Neil Young, R.E.M., Raconteurs, Iggy & the Stooges, etc. Porque ouvir clássicos como “Hey Hey My My”, “Born To Run” ou “Tumbling Dice” ao vivo causaram estragos no meu coração já sofrido e maltratado pela vida rock and roll. É como se sua amada estivesse te fazendo aquela declaração de amor ao pé do ouvido.

Eu poderia terminar este texto dizendo algum clichê como “é por isso que o rock nunca vai morrer” ou “podem inventar outros ritmos que o rock sempre permanecerá vivo em nossos corações” mas acho melhor não. Porque eu não vou conseguir convencer ninguém disso. Azar é seu se você não se emociona com o rock. Eu vou é fechar este computador e colocar um “London Calling” ali pra ouvir”.

Rodrigo James

5 Respostas

  1. A gente se emociona, Rodrigo. Porque a emoção é inevitável

  2. A propósito, London Calling, do Clash, é sensacional! E o seu texto sobre o rock é emocionante :)
    Bjos

  3. [...] Craviée, baixista da banda The Hell’s Kitchen Project, quem escreveu pra gente. Hoje, além do James, quem está com a palavra é nossa amiga Marcela Machado, apresentadora do programa “Todo [...]

  4. [...] toda com posts especiais de gente que realmente respira rock. Fernando Craviée, Marcela Machado e Rodrigo James já se declararam. Hoje é a vez do Jeová Guimarães. O cara é produtor musical e idealizador e [...]

  5. [...] do ótimo Rock’n’Beats. Confira também os textos de Fernando Craviée, Marcela Machado, Rodrigo James e Jeová Guimarães. “Desde o Concert for Bangladesh, em 1971, músicos têm promovido [...]

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 31 other followers