Seguindo com a nossa semana em comemoração ao Dia Mundial do Rock, chegou a vez de Manoella Oliveira contar pra gente como é amar balé e, ao mesmo tempo Metallica. Ela é jornalista da Tato, já trabalhou nas revistas Planeta Sustentável, Atrevidinha e foi curadora do Busk. Confira também os textos de Marcela Machado, Rodrigo James, Fernando Craviée, Jeová Guimarães e Marina Bastos.
“No meio do caminho tinha um boteco. Tinha um boteco no meio do caminho. E daqueles bem copo sujo, que ficava no trajeto entre minha escola e minha casa e onde tocava uma jukebox. Voltando da aula, um dia, passei lá na porta como de costume e ouvi uma música muito atraente. Na impossibilidade de entrar no estabelecimento mais mal falado do bairro, cheio de bêbados ao meio-dia, fiquei parada na esquina, pateticamente, tentando decifrar a letra para descobrir na internet que banda era aquela afinal.
Era ‘The Unforgiven’, um dos clássicos de uma das melhores bandas de rock de todos os tempos. Metallica caiu muito bem a quem já ouvia um pouco de Nirvana e de Silverchair – quando eles ainda eram rebeldes e faziam músicas politizadas, que fique claro. Com muito sacrifício, consegui que minha mãe me presenteasse com o ‘And Justice for All’ sob infinitos protestos de que não se cria uma filha bailarina para ouvir música de menino. O sofrido álbum pós Cliff Burton, por assim dizer, era muito legal, mas o que me seduziu de verdade foi o ‘S&M’.
‘Ouviram aquela piada da banda de rock que foi tocar com uma orquestra?’, pergunta Hetfield na abertura do show. Ouvi. Várias e várias vezes. Para uma bailarina clássica, fanzoca de Tchaikovsky, que já nasceu na pontinha dos pés, nada melhor do que perceber que o rock não era só música de shows para ‘bater cabeça’ era também música para dançar balé. Juro que dá!
Rock inspira. A dançar, a cantar aos berros, a pular na maior animação e, para quem consegue enxergar, a se sentir livre. Tão livre e tão flexível, que Metallica já foi trilha sonora do melhor show da minha vida, de aulas de dança que eu ministrei e, anotem aí, será a música com que vou entrar na igreja no dia do meu casamento (se ele vier): ‘Nothing Else Matters’, na versão ‘Apocalyptica’.”
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esse DVD é uma obra prima. não tive a oportunidade de ver metallica ao vivo aqui no brasil, mas te juro que a sensação de assistir ao S&M em uma sala com telão, sistema de som perfeito, portas fechadas e uma amiga fã ao lado foi muito real e emocionante. pulei e dancei como se eles estivessem ali, de fato na minha frente, e fiquei rouca no final da exibição.
vale a pena guardar para as próximas gerações.
adorei o texto =)
Olá Manoella!
Que bacana ver uma “paixão” feminina declarada ao Metallica. Eu sou fã demais dos caras (inclusive o Gabriel me recomendou o seu texto por conta disso) e minha história começou quando eu ainda tinha voz fina!
Meu primeiro contato foi em 94, aos 11 anos de idade, através do Master of Puppets. Lembro que a intro de “Battery” mexeu comigo. Depois disso, foi paixão mesmo. Comecei a devorar os discos um atrás do outro, também sob o olhar bravo de minha mãe.
Interessante que você tenha dito da entrada na igreja com “Nothing”. Eu digo isso há anos e uma prima minha acabou fazendo isso. Aliás, mais uma curiosidade sobre a música. Em 90/91, quando da gravação da música, James e Lars entraram em contato com um maestro chamado Michael Kamen, pedindo para criar uma melodia instrumental para o fundo de Nothing. Ele o fez, mas acabou que na hora da masterização ela ficou muuuito apagadinha. Kamen então sugeriu que eles gravassem um disco um dia… e eles disseram “Ok, vamos pensar”. 8 anos depois, ligaram pra Kamen e disserem “Ei, lembra outro dia quando você nos sugeriu???”… e assim nasceu o álbum S&M.
Kamen tbm era maestro de vários outros músicos, como David Gilmour (Pink Floyd), tocou no jubileu da rainha da inglaterra e morreu logo depois, bastante novo.
Sem dúvida, Metallica é uma banda como poucas outras, com uma história sensacional e, agora, com uma maturidade ímpar.
Ahh, já que você gosta dos caras… recomendo um livro… http://www.submarino.com.br/produto/1/21368492/metallica+e+a+filosofia:+um+curso+intensivo+de+cirurgia+cerebral
Abraço!
Oi, Thaís. Mto legal seu “show especial” do Metallica pelo telão. Acho válido. Me senti assim, num show ao vivo, qdo fui ver The Big Four no cinema. Eu e todos os fãs presentes. Td mundo de preto, td mundo berrando, aplaudindo, pulando, foi mágico! Se houver reprise, recomendo.
Camilo, obrigada por esclarecer mais sobre o S&M. Não sabia que qm teve a ideia foi o Kamen. A intro de Battery é sensacional, mas prefiro na versão S&M. Dava um solo de balé fácil fácil. É minha favorita. Sobre o livro, eu conheço, mas tive dificuldade em achar pra comprar qdo conheci. Procurarei com mais afinco. Abraços
[...] musical oscila entre Metallica e Tchaikovsky – parece pegadinha, eu sei, e tanto parece que já escrevi sobre isso para o Oi tudo em cima? no Dia Mundial do Rock – então, não vou enganar ninguém e já digo, de [...]